15 de setembro de 2010

Religião.

    Houve muitas tentativas para explicar o porquê de sua existência. Permita-me dizer que todas são, de certa maneira, falhas. Não creio que homem algum conseguirá tal proeza. E já vos afirmo, este não serei eu. Não caberá a mim dizer qual a verdadeira acepção de religião, mas produzir questionamentos e críticas quanto a seus seguidores e pregadores.
     Concentrar-me-ei na doutrina mais imperialista e expansionista ainda existente, Cristianismo. Foi nele em que, durante a história, Deus mostrou-se nunca ser o mesmo. Líderes religiosos fechados em concílios desde seu surgimento transladam o pensamento divino em prol de maior número de fiéis. Deus nunca se mostrara como o descrito originalmente, mas como o Homem e a igreja necessitavam. Quando este precisou ser amedrontador e controlador, ele foi. Quando foi preciso sua misericórdia, ele a tinha. Aqui, afirmo a vós, somente a irrefutável verdade. Não há um Deus cristão único.
     São os que se sentam no mais baixo piso das igrejas que fecham os olhos para os feitos burgueses da igreja. Parvos são os seguidores que vergam suas vontades e sucumbem diante aos líderes religiosos. E empalermados os católicos são, ao achar equivocado pagar à igrejas evangélicas uma vez que estes mesmos pagam o dízimo.
     Fato é também que as religiões não recebem necessária fidelidade. A dúvida quanto ao que nunca foi visto pelos olhos persiste sobre os fieis. A fé mostra a sua discreta atonia diante da inacabável escuridão do desconhecido pelo homem. Ajoelha-se diante da dúvida. Os mais devotos, em via de falecimento, até mesmo estes cujas vidas foram restituídas à igreja, ainda rezam contra a morte ou ao menos, numa faísca perguntam-se numa breve frase: "será?". Não é por acaso que em casos de sobrevivência ao extremo, denomina-se "milagre". Afinal vos pergunto. Que há de bom em permanecer na Terra e adiar o encontro com o Senhor?
     Um cético não é aquele, portanto que acreditam com veemência na não existência de Deus, mas sim aquele que aceita a escuridão que cobre o conhecimento e cultiva as dúvidas inelutáveis e não respostas de pouco crédito nas quais fingimos acreditar para cobrir os buracos de nossas virtuosas vidas. Afirmar a ciência é tão equivocado quanto crer cegamente em um seguimento religioso. A resposta é a dúvida.
     Nestes últimos tempos, mais céticos tem chegado ao globo. Ao contrário do que dizem, não é a fé que se acaba. Ela na verdade se fortalece. Tornou-se perceptível ao povo que ela não se baseia nas igrejas, mas na consciência de cada indivíduo. Cego é seguir uma resposta e mentir para si mesmo de que não há dúvidas, esperando uma absolvição divina. Não apalermais-vos sob as mãos das igrejas. Aceites que de nada sabes.

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