22 de março de 2011

Agressão estudantil.

     “Bullying”. Depois que surgiu essa palavra no Brasil, ela se transformou no som do inferno dentro do colégio, em casa, na televisão... Mil e uma palestras na escola com uns psicólogos tratando a gente como se trata maternal explicando por que o “Bullying” é ruim e usando o maldito termo “coleguinha”. Sinceramente, será que ninguém percebeu que não vai mudar nada assim? Sem acusar nem defender o ato, mas será que dá pra ser mais criativo?
      Já começa pela própria palavra. Inventaram lá, copiaram cá. Será que às vezes esquecemos que temos uma língua? Nas próprias escolas criaram um termo mais brasileiro. “Zoação”. Assim nem precisariam de televisão e palestrante pra explicar o que é. Tantos estudiosos e nem um nomezinho? Eu mesmo tratarei de criar um: Agressão estudantil.
     Eu, perdoe-me a falta de caráter, sempre dormia junto com o resto nas palestras. E já aviso de antemão que nunca pratiquei nem sofri. Eu era aqueles caladões que tinha até certo ponto de amizade com todo mundo, mas ninguém mexia... Assim apenas observava os pobres sendo agredidos (só verbalmente) por outros pobres de espíritos nem mais fortes nem mais inteligentes, aliás, neste ponto muitas vezes ao contrário. O que há de novo nisso? Relacionei que os agressores não percebiam estarem promovendo a tal “agressão estudantil” que eles ouviram na diaba da palestra. Então pra que servia a famosa palestra? Nada.
     Esse papo todo, famoso e ótimo pra falar quando não se tem assunto mais sinceramente não serve pra nada. Ainda percebo centenas sofrendo “Agressão estudantil” e ao contrário do que pensam, denunciando ao colégio. E os diretores do colégio, imponente, com toda a política contra “Bulliyng, a lenda”, solta aquelas frases que fazem qualquer um parecer parvo animal: “finge que não é com você”, “Aprenda a se defender”, “Ignora que eles param”, ou ainda, e a pior, “tente se adaptar aos seus amiguinhos”
     E eu, observando tudo àquilo de longe, criei o hábito de rir ao começo de qualquer palestra, simplesmente porque é o que resta a fazer. E os que mataram os agressores, eu só posso dizer que, infelizmente, às vezes é a única coisa que resta a fazer pelo último sopro de honra. Responder aos néscios com ignorância. Este é o final desse romance.

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